E
a inserção das culturas orientais em nossa cultura influiu decisivamente
para que houvesse uma profunda reflexão e uma ampla mudança
de pontos de vista – novos paradigmas – a respeito da Vida, de
nós mesmos e das nossas relações conosco, com o(s) outro(s)
e com o Universo.
Hoje, todo mundo, de alguma forma, já ouviu falar ou já experienciou
alguma vez Yoga, Shiatsu, Meditação, Acupuntura, TaiChiChuan,
Feng-Shui, já ouviu falar de Chakras, Macrobiótica, Budismo.
Enfim, passados 40 anos, o universo oriental se integrou perfeitamente –
e ainda está se expandindo – ao universo ocidental.
A grande mensagem e a principal contribuição – dentre
muitas outras - que o Oriente veio nos trazer, foi a idéia da Unidade.
A perspectiva de que o Universo, a Criação, é um só
Organismo, um só Ser, totalmente inter-relacionado, interligado, integrado,
interagente, interdependente, e totalmente consciente, infinito e eterno.
Uma grande teia onde cada átomo e cada galáxia é consciente
e inteligente. Onde cada elemento desta imensa rede, além de estar
interconectado com toda a rede, também funciona como um imã,
que fica constantemente, magnéticamente, atraindo e repelindo coisas
e situações num movimento sincrônico e inteligente de
contínua evolução, de contínua (re)criação
da Realidade.
E esta mudança de perspectiva veio trazer um novo alento à péssima
auto-estima a que a religião vigente nos condicionou : agora sabemos
que não somos mais vis pecadores que dependem da misericórdia
divina de um deus que está em um paraíso distante, para poder
vir à ser algo que não se é.
E que também não somos culpados de nada (nem somos vítimas
de nada), nem somos o produto final da Criação, e nem a Terra
foi criada prioritáriamente para nosso uso exclusivo.
O novo paradigma vem nos (re)informar que na verdade, já somos a Perfeição,
a Plenitude e a Felicidade que buscamos. Nossa essência primordial é
o Uno, a pura Luz e o puro Amor.
Nós só estamos míopes, ignorantes dessa Realidade. Temos
que resgatar a consciência de que somos todos co-criadores e co-responsáveis
pelo Universo e pela Vida, somos “partes” desse Todo consciente
e vivo que é a Criação. Não é bem melhor
ser ignorante do que culpado e pecador ?
Uma outra grande contribuição trazida do Oriente foi o resgate
da Energia. Da Energia Vital – em suas mais diversas manifestações
- que está aí sustentando o Universo e que, de tantas formas
e maneiras, podemos instrumentalizá-la e utiliza-la em nosso favor
para nosso crescimento, e para ajudar as outras pessoas.
A partir do universo aberto pelo Oriente muitos caminhos se desdobraram ,
cresceram e multiplicaram - inicialmente através dos hippies - como
a consciência e o movimento ecológico, as terapias alternativas,
a agricultura orgânica, a alimentação natural e o espiritualismo
e o esoterismo em geral. Tudo agora já bastante inserido em nosso universo
urbano e globalizado, trazendo no seu cerne uma nova visão de mundo,
holística e integrativa.
Paralelamente a estes acontecimentos, a Ciência também já
vinha mexendo em seus paradigmas, com a expansão da Física Quântica
que veio e vem corroborando e respaldando o que os orientais e os Xamãs
vem dizendo há milênios.
Quando o físico alemão W. Heissenberg, um dos pais da Fisica
Quântica, percebeu que a menor porção de matéria
podia se comportar como onda ou como partícula, dependendo do ponto
de vista do observador, este fato veio fazer um super link com a concepção
oriental que diz que estar no nível absoluto ou no relativo, estar
na sombra ou na Luz, estar na ignorância ou no Conhecimento, é
só uma questão de ponto de vista, de perspectiva.
E a Psicologia, através principalmente da Psicologia Transpessoal,
também expandiu grandemente as possibilidades de compreensão
da mente e da vida, e expandiu também a utilização das
inúmeras antigas ferramentas de cura.
Ainda assim, haviam mais algumas culturas ancestrais que seria bom, na perspectiva
da Gaya, que também voltassem à superfície trazendo seu
milenar Conhecimento e Sabedoria.
E assim, os anos 70 e 80 viram o início de um movimento de resgate
de muitas culturas distintas, tais como os povos das Américas (índios
brasileiros e norte-americanos, incas, astecas e maias, esquimós),
os africanos, os siberianos, e os aborígines australianos e havaianos.
E tudo isso tem sido chamado de Xamanismo.
Existem duas profecias muito significativas no universo xamânico : uma,
é uma profecia Inca que dizia que 500 anos depois da invasão,
a águia voltaria à voar com o condor, fazendo uma alusão
ao resgate e à (re)integração dos povos nativos das Américas.
A outra profecia, Sioux, dizia que também 500 anos depois do flagelo
que se abateria sobre aquela terra, os vermelhos voltariam a renascer como
brancos, e estes brancos – chamados de “Guerreiros do Arco-Iris”
– ajudariam a resgatar o Caminho Vermelho.
E estas duas profecias estão realmente acontecendo nos tempos atuais
(assim como muitas profecias orientais que dizem que nestes tempos, os orientais
espiritualistas , monges e Mestres, estariam renascendo no ocidente).
Mas qual será a contribuição que tem a dar ao mundo moderno
estas culturas aparentemente tão primitivas - na visão do mundo
ocidental – já que a maioria delas, por exemplo, nem desenvolveu
a escrita ?
Em primeiro lugar, referendar tudo o que os orientais já tinham dito.
No Xamanismo a idéia da Unidade também é a espinha dorsal,
o ponto central do Conhecimento e do Caminho.
E o reconhecimento, a percepção e a utilização
da energia, também é amplamente conhecido e praticado.
Talvez a principal contribuição que o chamado Xamanismo vem
nos trazer - e que também é uma das razões pelas quais
culturas tão distantes e diferentes como, por exemplo, siberianos e
australianos, são incluídas num mesmo rótulo de “Xamanismo”
– é o que poderíamos chamar de “resgate do sexto-sentido”,
da sensitividade. Este sentido adormecido que é também chamado
de paranormalidade, mediunidade, percepção extra-sensorial.
Um dos principais postulados do Xamanismo é a realidade multidimensional
do Universo. Só que como nossa cultura (e sua religião dominante)
renegou o sexto-sentido e a energia, o homem ficou apenas com os 5 sentidos
e a mente racional para poder viver e pesquisar seu interior e curar suas
questões psico-emocionais e espirituais.
Os cinco sentidos e a mente racional, são ótimos instrumentos
para viver e lidar bem na vida material, objetiva e concreta. Mas na vida
multidimensional, no mundo da intuição, no mundo do sentir,
do contato com outros níveis sutis de existência, estes cinco
sentidos não são a ferramenta mais adequada. É o sexto-sentido
quem abre as portas para a vida multidimensional consciente.
Nós fomos educados na idéia de que a Consciência é
uma prerrogativa de um cérebro humano cheio de neurônios. Mas
os índios sabem, por exemplo, que a Consciência está e
se expressa em cada pedra, em cada animal, em cada planta, em cada ser vivo
e em cada dimensão da Existência. Só que para se comunicar
com estes outros reinos e níveis, não é com os 5 sentidos
nem com a mente racional. É com o sexto-sentido. E é por isso
- e é assim – que índio se comunica com pedras, com árvores
, com os animais e com seres de outras dimensões.
Outra coisa interessante de se notar, é que sempre que na história
da Humanidade, quando não se sabia a origem natural de alguma coisa,
de algum fenômeno inexplicável, normalmente se atribuía
a uma razão sobrenatural, mística, superpoderosa, oculta. E
assim se criaram as religiões, o misticismo, o esoterismo e as mitologias.
E depois muita coisa foi deixando de ser considerada mística ou esotérica
quando a Ciência ocidental (especialmente a Física Quântica)
começou a fazer uma outra leitura.
Imagine você tentando descrever telefone celular ou Internet para uma
pessoa da Idade Média. Provavelmente te queimariam na fogueira por
magia negra !
Então, o que está se tratando aqui, são de leis universais
que foram descobertas há muito tempo, e de antigas tecnologias que
foram desenvolvidas a partir destes conhecimentos.
Por exemplo, quando o dr. S. Freud “denunciou” o inconsciente
ao mundo ocidental e quando falou da libido ; quando dr. C. G. Jung trouxe
o conhecimento dos arquétipos e do inconsciente coletivo ; e quando
dr. W. Reich descobria a correlação entre as emoções,
a energia e o corpo fisico, e descobria a energia orgônica, todos eles
estavam, conscientemente ou não, relendo científicamente –
e isso foi e é maravilhoso - conhecimentos que muitos povos antigos
já tinham “descoberto” , explicado e instrumentalizado
dentro de outros parâmetros e perspectivas próprias.
E a maior parte da humanidade sempre utilizou o sexto-sentido.
Mais modernamente, por exemplo, Alan Kardek teve o insight de desenvolver
e especializar o sexto-sentido para abrir um canal de interação
com o mundo dos espíritos desencarnados. E de fato ele desenvolveu
uma metodologia muito séria e competente, que chamou de Espiritismo
.
A Umbanda, religião brasileira que integra cultura afro, indígena,
kardecista, católica e oriental, também trabalha com o sexto-sentido
dentro desta mesma perspectiva – a mediunidade.
Nos cultos africanos, já praticamente não se trabalha com mediunizar
desencarnados. O médium incorpora as forças arquetípicas
– deuses - da Natureza (os Orixás) e desfruta de seu Axé
(sua energia e suas qualidades). É uma outra utilização
do mesmo sexto-sentido.
No mundo xamânico, onde até podem acontecer também as
duas formas de utilização do sexto-sentido citadas acima, a
tônica, a principal forma de utilização da sensitividade
é para se acessar os conteúdos do inconsciente, as crenças
e padrões psico-emocionais negativos (auto-boicotadores e sabotadores),
os nós que vem de vidas passadas ou da ancestralidade, as dores e bloqueios
psico-emocionais que começam em algum evento traumático localizado
em algum ponto da nossa história e que até hoje estão
vibrando em nós, acabando por se somatizar em doenças físicas,
dificuldades na vida afetiva, profissional e financeira ou em repetidos casos
de interferência energética (energia intrusa).
O sexto-sentido é uma ferramenta habilitada para se acessar diretamente
estes conteúdos psico-emocionais em desequilibrio, que são quem
entrava a caminhada de todo o ser humano rumo à sua maior realização
que é a (re)experienciação de sua natureza real –
a Unidade.
Como nossa cultura não aceitou a idéia do sexto-sentido e da
energia (e de toda a perspectiva holística e animista da vida), acabou
construindo sua Ciência ( o paradigma cartesiano, mecanicista e reducionista),
sua Filosofia, sua Medicina (a visão alopática e sintomática
da saúde) e sua Psicologia (principalmente a Psicanálise) baseadas
no universo dos 5 sentidos, do ego e da mente racional.
Por isso, por exemplo, em Psicoterapia, (especialmente em Psicanálise)
os processos terapêuticos costumam demorar tanto - e isto não
é uma critica! Na maior parte das vezes é realmente necessário
que se demore mesmo, pois através do verbal e do racional o terapeuta
vai facilitando habilmente ao cliente a desconstrução gradativa
da intrincada rede de controles e defesas que vamos construindo ao longo de
nossa(s) vida(s) para não acessarmos nossas dores , até chegar
ao contato com os conteúdos e seus núcleos, e aí a sua
catarse e sua re-significação. E tudo isso normalmente tem que
ser lento mesmo, pois não se pode sair detonando as defesas das pessoas,
que muitas das vezes é o que as mantém vivas.
Mas se temos uma ferramenta capaz de acessar diretamente os núcleos
formadores de padrões (que os hindus chamam de samskaras), e transmuta-los
– e esta é a proposta da “canalização”,
uma outra forma de utilização do sexto-sentido – a teia
de defesas e controles desfaz-se por si só pois não tem mais
necessidade de defender e controlar nada, e o processo de cura pode acontecer
de uma forma muito mais rápida e ampla.
O mais importante é não se perder a perspectiva de que nada
disso é sobrenatural, esotérico, místico ou mágico.
Tudo é absoluta e simplesmente natural no Universo,mesmo que não
saibamos como e porque funciona
E aonde se insere o Fogo Sagrado nessa história toda ?
Além de ter sido desenvolvido inicialmente a partir das vivências
e experiências de um Xamã (branco) entre os índios –
Aloyzio Delgado Nascimento, que deu ao seu trabalho o nome de Alinhamento
Energético, que tem, como tem o Xamanismo em geral, seu eixo filosófico
e teórico plantado na idéia da Unidade e a base da sua metodologia
de cura na ampla utilização terapêutica do sexto-sentido
e da Energia.
Quatro coisas caracterizam o Fogo Sagrado : a observação das
leis do Karma, da Sincronicidade e da Ressonância ; a neutralidade e
o não-julgamento ; a não invasão do campo e a não
manipulação de energia (a finalidade não é tentar
interferir no karma para realizar desejos, e sim, desbloquear aonde a pessoa
mesma se limita) e o desapego aos resultados (a confiança que o Universo
é inteligente, está sempre certo, é ótimo parceiro,
mas não podemos nem devemos tentar controla-lo).
E, por outro lado, três coisas caracterizam a forma como o Fogo Sagrado
se insere no contexto do universo xamânico em geral, isto é,
o que é mais representativo na contribuição que este
trabalho tem a dar para a inserção e a expansão do Xamanismo
em geral, em nossa cultura :
Uma, o desenvolvimento da capacidade de se transmutar energias e curar, sem
nenhum tipo de ritual.
Outra, a capacidade de se acessar as outras dimensões (externas e internas)
sem o uso e a ingestão de nenhum tipo de substâncias.
Não que sejamos contra rituais ou plantas sagradas. Já interagimos
com as duas coisas e as respeitamos muito. Mas é assim que este trabalho
foi intuído e desenvolvido pelo Aloyzio, e depois reestruturado por
Mônica Oliveira (passando a ser chamado de Fogo Sagrado) : fazer aquilo
que os Pajés e Xamãs fazem com cerimônias e rituais nas
aldeias, em um ambiente de consultório terapêutico em plena selva
urbana, podendo acolher desde ateus agnósticos até pessoas de
todas as religiões e atividades.
E a terceira coisa que caracteriza o Fogo Sagrado, é a proposta de
ser, não um caminho dogmático, rígido ou sectário,
mas sobretudo, uma técnica quântica de cura e uma ponte ecumênica,
eclética e universalista entre os Conhecimentos Sagrados, especialmente
os conhecimentos orientais , os xamânicos, os da Fisica Quântica
e os da Psicologia , integrando todas as Sabedorias, procurando juntar as
partes do grande quebra-cabeça do Universo e inspirando e expandindo
a consciência da Unidade em todos nós.